| Se é comida do México, no La Merced tem - Estadão |
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| Qui, 26 de Agosto de 2010 08:01 |
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O mercado de La Merced é a respiração orgânica deste México profundo e em movimento que vivemos tentando traduzir para entender nossos hábitos e quereres. Nos mercados do México podemos entender a cultura de uma região. Neles está representado um mundo simbólico, nos produtos que usamos para fazer a comida, que falam da produção agrícola, ou até nas trocas comerciais locais, seus interesses, seu jeito de viver. O mercado de La Merced é o rosto desse México antigo e vital, colorido e lúdico, sensual e inventivo. Picareta, também. E parece ter sempre estado ali (o que de alguma forma é verdade). A nave maior ocupa aproximadamente 40 mil m², com venda de frutas, verduras e legumes; a nave menor, com banca de carnes, peixes, lácteos, abarrotes (mercearias) e carnes frias; Passo à Desnivel (que significa "sob o viaduto", o que dá ideia do tamanho), com venda de comida preparada e antojitos (as rapidinhas gastronômicas); Anpudia é o mercado de doces; em Merced Anexo há artigos para o lar; Merced Sonora oferece ervas medicinais, louça, cerâmica e barro, plásticos para o lar e animais vivos. E tem ainda Merced Flores. Na última vez que visitei La Merced, entrei pelo mercado de Sonora. Era um formigueiro, todo mundo falando alto, perguntando, oferecendo, pregoando; corredores de ervas, a maioria, medicinais, raízes, talismãs, amuletos. De repente, topo com a Santa Morte, cheiro de ervas e de incensos, animais vivos. Não era senão um primeiro encontro, mas parecia precedido por uma série de séculos. Saí à luz, que tomou a forma do que meu olhar inventava. Difícil deixar esse imenso labirinto de sons e cheiros que La Merced abriga: frangos assados, rádios no volume máximo, homens com alto-falantes cantarolando suas mercadorias, garotas palmeando tortillas para acompanhar gostosos guisos que servem em cumbucas de barro. Nas calçadas, as mulheres nahuas e otomis oferecem aves cantoras, grãos de milho de diferentes cores, tenros, de suas hortas; capins comestíveis, café fresco, flores de estranha beleza, galos, patos, iguanas, histórias em duas, três línguas. Nada como comer nos mercados, e La Merced oferece possibilidades quase infinitas, conforme a estação do ano e das festas. Tem prato feito, o universo do milho - tacos, sopes, tostadas, panuchos, gorditas tlacoyos, enchiladas, recheados de tudo, carnes, aves, legumes, insetos, etc. Pamonhas de todo tipo. Peixes. Vim a La Merced porque me disseram que vivia aqui essa minha saudade, um tal do México por vir. Foi a minha mãe quem me disse. E eu lhe prometi que viria vê-lo quando ela morresse. Me despeço tranquila. La Merced continua respirando, igualzinho à primeira vez. Conjugando a tradição com a modernidade, a mágica com o eminentemente prático, a medicina com a fé e os sonhos. NÃO PERCA Cerâmicas e louças |


